
Ter uma criança “desajeitada” pode levantar muitas dúvidas aos pais. Cai frequentemente, tropeça, deixa cair objetos ou parece ter mais dificuldade do que outras crianças em correr, saltar, desenhar ou vestir-se. Mas quando é que estas dificuldades fazem parte do desenvolvimento normal e quando justificam uma avaliação?
Nem todas as diferenças na coordenação motora significam que existe um problema. Cada criança tem o seu ritmo e aprender novas competências exige tempo, experiência e oportunidades para praticar. A atenção deve aumentar quando as dificuldades são frequentes, persistem ao longo do tempo ou começam a interferir com o brincar, a autonomia, a escola ou a relação com outras crianças.
“Ele é tão desajeitado!”
“Está sempre a deixar cair as coisas.”
“Tropeça em todo o lado.”
“Parece que não consegue acompanhar as outras crianças.”
É comum ouvirmos estas expressões quando uma criança apresenta alguma dificuldade na coordenação dos seus movimentos. Mas será que ser “desajeitado” é apenas uma característica individual ou poderá ser um sinal de que a criança precisa de apoio?
Quando os pais dizem que uma criança é “desajeitada”, geralmente estão a descrever situações do quotidiano: a criança tropeça frequentemente, cai, esbarra nos objetos, deixa cair coisas ou parece ter mais dificuldade em realizar determinadas tarefas motoras.
Mas “desajeitada” não é um diagnóstico. É uma expressão que usamos para descrever aquilo que observamos no comportamento da criança e que pode ter diferentes explicações.
– Uma fase do desenvolvimento ou uma dificuldade persistente?
Durante o desenvolvimento, é perfeitamente esperado que as crianças apresentem alguma variabilidade na forma como adquirem e aperfeiçoam as suas competências motoras. Aprender a correr, saltar, subir, descer, manipular objetos ou realizar tarefas que exigem maior precisão requer tempo, prática e experiência.
Por isso, uma criança que ocasionalmente tropeça ou tem dificuldade em aprender uma nova habilidade não significa necessariamente que exista uma dificuldade.
A atenção deve aumentar quando estas dificuldades são frequentes e persistentes, parecem desproporcionais face ao esperado para a idade ou começam a interferir no dia a dia da criança.
– Porque é que algumas crianças parecem mais “desajeitadas”?
Existem várias razões pelas quais uma criança pode tropeçar com maior frequência, apresentar mais quedas ou dificuldades de coordenação.
Algumas podem estar relacionadas com a aquisição e o aperfeiçoamento das competências motoras. Outras podem envolver a forma como a criança planeia e organiza os movimentos, coordena diferentes partes do corpo, percebe a posição do seu corpo no espaço ou responde às informações sensoriais que recebe.
Também é importante considerar que as exigências das atividades variam. Uma criança pode movimentar-se facilmente numa brincadeira espontânea, mas revelar maior dificuldade em tarefas que exigem mais precisão, coordenação ou planeamento, como recortar, desenhar, vestir-se ou participar em determinados jogos.
Por isso, mais do que perguntar se uma criança é “desajeitada”, importa observar:
O que está a ser difícil? Com que frequência acontece? Desde quando? E está a interferir com a participação da criança no seu dia a dia?
É a resposta a estas perguntas que nos ajuda a distinguir uma característica individual ou uma fase do desenvolvimento, de uma dificuldade que pode beneficiar de uma avaliação mais aprofundada.
Aprender a movimentar o corpo é um processo gradual. Desde os primeiros anos de vida, a criança vai adquirindo e aperfeiçoando competências que lhe permitem explorar o ambiente, brincar, participar e ganhar autonomia.
Correr, saltar, subir escadas, andar de bicicleta, lançar e agarrar uma bola, recortar ou apertar botões são exemplos de atividades que exigem diferentes competências motoras e que são desenvolvidas ao longo da infância.
– Como se desenvolvem as competências motoras?
O desenvolvimento motor acontece através da interação entre o crescimento da criança, as suas experiências, as oportunidades de brincar e praticar e as características individuais de cada criança.
Ao longo do tempo, os movimentos tendem a tornar-se mais coordenados, precisos e eficientes. Uma criança começa por experimentar e explorar diferentes formas de se movimentar e, com a experiência, vai aprendendo a ajustar os seus movimentos às exigências de cada situação.
É através destas experiências do dia a dia que competências como correr, saltar, trepar, manipular objetos ou realizar tarefas que exigem maior precisão vão sendo progressivamente aperfeiçoadas.
– O papel do equilíbrio, da força e da coordenação
Para realizar um movimento de forma eficaz, não basta “saber o que fazer”. O corpo precisa de conseguir manter a estabilidade, produzir força suficiente e coordenar diferentes movimentos.
O equilíbrio permite manter e ajustar a posição do corpo durante atividades estáticas e em movimento. A força contribui para que a criança consiga sustentar o corpo, deslocar-se e realizar diferentes ações. Já a coordenação permite organizar os movimentos de forma adequada, articulando diferentes partes do corpo para atingir determinado objetivo.
Estas competências estão interligadas e são utilizadas constantemente nas atividades do quotidiano — desde correr no recreio até vestir-se, usar talheres, desenhar ou participar numa brincadeira com outras crianças.
– Cada criança tem o seu próprio ritmo
É importante lembrar que o desenvolvimento não acontece exatamente da mesma forma para todas as crianças.
Duas crianças com a mesma idade podem apresentar níveis diferentes de facilidade numa determinada competência motora e, ainda assim, ambas estarem a desenvolver-se dentro da sua variabilidade individual.
Por isso, os marcos do desenvolvimento devem ser entendidos como referências e não como uma competição ou uma lista de tarefas que todas as crianças têm de cumprir exatamente ao mesmo tempo.
Mais importante do que comparar uma criança com outras é observar a evolução das suas competências, a sua capacidade de aprender novas habilidades e o impacto que eventuais dificuldades têm na sua participação no dia a dia.
Quando uma criança encontra desafios motores, oferecer oportunidades para brincar, explorar e praticar, respeitando o seu ritmo e tornando as atividades significativas e prazerosas, pode ser uma forma importante de apoiar o seu desenvolvimento.
Todas as crianças podem tropeçar, cair ou ter dificuldade em aprender uma nova habilidade motora. Faz parte do processo de experimentar, explorar e conhecer o próprio corpo.
No entanto, quando determinadas situações acontecem com frequência, persistem ao longo do tempo ou interferem na participação da criança, é importante prestar-lhes atenção.
Alguns dos sinais que os pais podem observar no dia a dia incluem:
A criança pode cair mais vezes do que seria esperado durante atividades como correr, brincar no parque ou participar em jogos com outras crianças. Por vezes, pode parecer ter dificuldade em ajustar os seus movimentos quando o ambiente ou a atividade muda.
Pode tropeçar frequentemente, esbarrar em objetos ou pessoas ou ter dificuldade em manter o equilíbrio em determinadas situações, como caminhar sobre superfícies irregulares, subir e descer escadas ou realizar atividades que exigem maior controlo postural.
Algumas crianças podem apresentar dificuldade em coordenar os movimentos necessários para correr, saltar, lançar ou apanhar uma bola. Podem precisar de mais tempo e oportunidades de prática para aprender estas competências ou demonstrar dificuldade em utilizá-las de forma consistente.
As dificuldades nem sempre são evidentes nas atividades de movimento. Podem também surgir em tarefas que exigem maior precisão e coordenação, como recortar, desenhar, escrever, usar talheres, apertar botões ou vestir-se.
Nestes casos, a criança pode realizar a tarefa de forma mais lenta, precisar de mais ajuda ou demonstrar um esforço superior ao esperado para a sua idade.
Algumas crianças começam a evitar brincadeiras ou atividades que envolvem movimento. Podem dizer que “não gostam de desporto”, preferir atividades mais sedentárias ou desistir facilmente quando sentem que não conseguem acompanhar os pares.
É importante perceber que esta evitação pode não significar simplesmente falta de interesse. Por vezes, evitar uma atividade é a forma que a criança encontra para lidar com uma tarefa que considera difícil ou frustrante.
– O que devemos realmente observar?
Ter um destes comportamentos ocasionalmente não significa, por si só, que exista uma dificuldade motora.
Mais importante do que contar quantas vezes uma criança cai ou tropeça é observar a frequência, a persistência, a intensidade e o impacto destas dificuldades no seu quotidiano.
Se as dificuldades interferem no brincar, na autonomia, na participação escolar, nas atividades desportivas ou na relação com os pares, pode ser importante procurar orientação profissional.
O objetivo não é rotular a criança como “desajeitada”, mas compreender o que está a dificultar a sua participação e perceber de que forma pode ser apoiada.
Nem todas as diferenças na coordenação motora significam que existe uma dificuldade no desenvolvimento. Durante a infância, o corpo está em constante crescimento e as competências motoras vão sendo ajustadas à medida que a criança ganha experiência e maturidade.
Por isso, é natural que existam períodos em que determinados movimentos parecem menos coordenados ou em que uma competência demora mais tempo a consolidar-se.
– Fases de crescimento e adaptação motora
À medida que a criança cresce, o seu corpo muda: aumenta a altura, altera-se a proporção entre diferentes segmentos corporais e vão surgindo novas capacidades físicas.
A criança precisa de tempo para ajustar os seus movimentos às novas características do seu corpo. Durante estas fases, pode temporariamente parecer mais desajeitada, apresentar alguma perda de precisão ou precisar de mais prática para realizar determinadas tarefas.
Com a experiência e a adaptação, estes movimentos tendem a tornar-se novamente mais eficientes.
– Cada criança tem o seu próprio ritmo.
O desenvolvimento motor apresenta uma grande variabilidade. Algumas crianças adquirem determinadas competências mais cedo, enquanto outras precisam de mais tempo e oportunidades de exploração e prática.
Uma diferença pontual relativamente aos pares não significa necessariamente que exista um atraso ou uma dificuldade.
Em vez de comparar constantemente a criança com outras da mesma idade, é mais útil observar a sua evolução: está a adquirir novas competências? Está a conseguir realizar atividades que anteriormente eram difíceis? Está a participar nas brincadeiras e tarefas do quotidiano?
– Quando a coordenação pode melhorar naturalmente?
Em algumas situações, à medida que a criança amadurece e tem mais oportunidades para brincar e praticar, a coordenação vai-se tornando progressivamente mais eficaz.
Uma criança que inicialmente tem dificuldade em apanhar uma bola, por exemplo, pode melhorar à medida que desenvolve maior controlo corporal, experiência e confiança. Da mesma forma, tarefas como recortar, desenhar ou vestir-se podem tornar-se mais fáceis com a prática e o desenvolvimento das competências necessárias.
O mais importante é acompanhar a evolução ao longo do tempo.
Se existe uma dificuldade ligeira, mas a criança progride, participa nas atividades e vai adquirindo novas competências, pode fazer parte da variabilidade normal do desenvolvimento.
Por outro lado, quando as dificuldades persistem, parecem não acompanhar a evolução esperada ou começam a limitar a autonomia ou o brincar, poderá ser importante procurar compreender o motivo e se existe alguma área em que possa beneficiar de apoio.
Nem todas as dificuldades de coordenação motora significam que uma criança necessita de intervenção. No entanto, quando estas dificuldades são persistentes, parecem desproporcionais para a idade ou começam a interferir com o quotidiano, pode ser importante procurar uma avaliação.
O objetivo de uma avaliação não é colocar um rótulo na criança, mas compreender o que está a acontecer, identificar as suas necessidades e perceber de que forma pode ser apoiada.
– Dificuldades motoras persistentes para a idade.
Uma criança pode precisar de mais tempo para adquirir determinada competência. No entanto, quando as dificuldades motoras se mantêm ao longo do tempo e continuam a interferir com atividades esperadas para a sua idade, é importante observar a situação com maior atenção.
Pode existir dificuldade tanto nas competências motoras globais, como correr, saltar ou lançar uma bola, como nas competências motoras finas, como desenhar, recortar, manipular objetos ou vestir-se.
– Atraso na aquisição de competências motoras.
Quando uma criança demora significativamente mais tempo a adquirir determinadas competências motoras ou apresenta dificuldades persistentes em competências que já seriam esperadas para a sua faixa etária, uma avaliação pode ajudar a perceber melhor o seu perfil de desenvolvimento.
É importante olhar para o desenvolvimento como um todo e considerar a progressão da criança, e não apenas um marco isolado.
– Quedas frequentes que limitam a participação.
Cair ocasionalmente faz parte da infância. Contudo, se as quedas são muito frequentes e fazem com que a criança deixe de participar em determinadas brincadeiras, evite o parque, tenha receio de correr ou precise constantemente da ajuda de um adulto, o impacto no seu quotidiano merece atenção.
Neste caso, a questão deixa de ser apenas “quantas vezes cai?” e passa a ser “o que é que estas dificuldades estão a impedir a criança de fazer?”
– Dificuldade em acompanhar os colegas nas atividades físicas.
Algumas crianças podem precisar de mais tempo para aprender determinadas habilidades motoras ou apresentar um desempenho diferente dos seus pares durante jogos, brincadeiras no recreio ou atividades desportivas. Estas diferenças, por si só, não significam necessariamente que exista uma dificuldade.
No entanto, quando a criança apresenta dificuldades persistentes em atividades como correr, saltar, lançar ou apanhar uma bola, acompanhar regras motoras simples ou coordenar os movimentos necessários para participar numa brincadeira, pode começar a ficar frequentemente para trás ou a precisar de ajuda dos outros.
Se esta dificuldade é consistente e interfere na participação da criança, levando-a a evitar determinadas brincadeiras, a ficar frequentemente de fora ou a demonstrar frustração por não conseguir acompanhar os colegas, é importante procurar compreender o que está na origem dessa dificuldade.
Mais do que comparar o desempenho da criança com o dos seus pares, importa perceber se as suas competências motoras estão a permitir-lhe participar nas atividades que são significativas para si e adequadas à sua idade.
– Frustração ou baixa autoestima relacionada com o movimento.
As dificuldades motoras podem, em algumas crianças, ter impacto na forma como se sentem durante as atividades. Quando uma criança experiencia repetidamente situações em que sente que não consegue realizar uma tarefa ou acompanhar os colegas, pode surgir frustração, insegurança ou receio de voltar a tentar.
Podemos observar comportamentos como desistir rapidamente, evitar determinadas atividades, ficar frustrada quando não consegue realizar um movimento ou dizer frases como “eu não consigo”, “sou mau nisto” ou “não quero fazer”.
É importante lembrar que nem toda a frustração perante uma atividade motora significa que existe uma dificuldade. É natural que as crianças se sintam frustradas quando estão a aprender algo novo.
O que merece maior atenção é quando esta reação é frequente, intensa ou começa a levar a criança a evitar experiências, deixar de participar ou perder confiança nas suas próprias capacidades.
Nestes casos, é importante olhar para além do desempenho motor e compreender a experiência da criança. Uma avaliação pode ajudar a perceber quais as dificuldades que estão na origem desta frustração e de que forma estão a influenciar a sua participação no dia a dia.
O objetivo não é apenas melhorar uma determinada competência motora, mas criar condições para que a criança se sinta capaz, segura e motivada para participar nas atividades que são importantes para si.
A motricidade grossa envolve os movimentos que utilizam grandes grupos musculares e que permitem à criança deslocar-se, manter o equilíbrio e participar em diferentes atividades.
Correr, saltar, subir escadas, brincar no parque ou participar num jogo com uma bola são exemplos de atividades que dependem destas competências.
É natural que existam diferenças entre crianças. No entanto, observar como a criança realiza estas atividades pode ajudar a identificar dificuldades que estejam a interferir com a sua participação.
– Correr, saltar e subir escadas
Podemos observar se a criança consegue correr e saltar de forma adequada à sua idade e se consegue coordenar os movimentos necessários para realizar estas tarefas.
Algumas crianças podem apresentar dificuldade em saltar com os dois pés, alternar os pés nas escadas, correr sem tropeçar frequentemente ou coordenar braços e pernas durante o movimento.
Mais importante do que executar um movimento de determinada forma é perceber se a dificuldade é persistente e se limita aquilo que a criança consegue fazer no seu dia a dia.
– Equilíbrio em superfícies instáveis
O equilíbrio é utilizado constantemente, tanto em situações paradas como durante o movimento.
Brincadeiras que envolvem caminhar sobre superfícies irregulares, subir a estruturas no parque ou manter-se numa determinada posição podem exigir ajustes constantes do corpo
Uma criança que apresenta muita dificuldade nestas situações, cai frequentemente ou evita atividades que desafiam o equilíbrio pode beneficiar de uma observação mais aprofundada.
– Coordenação durante jogos e brincadeiras
Muitas brincadeiras exigem que a criança consiga coordenar diferentes movimentos ao mesmo tempo. Correr enquanto acompanha uma bola, lançar e apanhar, saltar obstáculos ou participar em jogos com regras motoras são alguns exemplos.
Quando estas tarefas são consistentemente difíceis, a criança pode precisar de mais tempo para aprender, ter dificuldade em acompanhar o ritmo da brincadeira ou depender frequentemente da ajuda dos outros.
– Participação em atividades desportivas
As atividades desportivas proporcionam oportunidades importantes para desenvolver competências motoras, mas nem todas as crianças terão o mesmo interesse ou desempenho.
O aspeto mais relevante é perceber se a criança consegue participar e desfrutar das atividades que lhe são significativas.
Se evita sistematicamente determinadas atividades, demonstra frustração, fica frequentemente de fora ou tem dificuldade em acompanhar os colegas devido às suas competências motoras, pode ser útil compreender melhor o que está a dificultar essa participação.
– O que observar no dia a dia?
Não é necessário que uma criança seja particularmente habilidosa ou tenha um bom desempenho desportivo para que o seu desenvolvimento motor seja adequado.
Devemos olhar para o conjunto: a criança está a progredir? Consegue aprender novas competências? Participa nas brincadeiras? As dificuldades interferem com a sua autonomia ou com as atividades que são importantes para ela?
Quando existem dificuldades persistentes com impacto no quotidiano, uma avaliação de Terapia Ocupacional pode contribuir para compreender o perfil motor da criança e identificar estratégias que facilitem a sua participação.
Nem todas as dificuldades de coordenação são visíveis quando uma criança corre, salta ou brinca no parque. Algumas manifestam-se de forma mais discreta em tarefas que exigem precisão, controlo e coordenação dos pequenos movimentos das mãos e dos dedos.
Estas competências são importantes para muitas atividades do quotidiano, desde brincar e desenhar até vestir-se e realizar tarefas escolares.
– Dificuldade em desenhar ou pintar
Desenhar e pintar parecem atividades simples, mas envolvem coordenação entre a visão e o movimento da mão, controlo do lápis e capacidade de realizar movimentos precisos.
Algumas crianças podem demonstrar dificuldade em controlar o traço, manter-se dentro dos limites de um desenho, copiar formas ou realizar determinadas tarefas gráficas adequadas à sua idade.
– Dificuldade em usar tesouras ou manipular pequenos objetos
Cortar com uma tesoura, encaixar peças pequenas, construir com blocos ou manipular objetos de diferentes tamanhos exige coordenação e destreza manual.
A criança pode apresentar dificuldade em coordenar as duas mãos, utilizar a tesoura de forma eficaz ou manipular objetos pequenos, precisando de mais tempo, ajuda ou esforço para completar a tarefa.
– Lentidão ao vestir-se ou apertar botões
As atividades de autocuidado também exigem competências de motricidade fina.
Abotoar e desapertar botões, fechar fechos, apertar atacadores ou manipular peças de roupa podem ser tarefas particularmente exigentes para algumas crianças.
Se a criança demora significativamente mais tempo do que seria esperado para a sua idade, necessita frequentemente de ajuda ou evita realizar estas tarefas sozinha, pode ser importante observar se existe alguma dificuldade específica a contribuir para isso.
– Alterações na escrita em idade escolar
Quando começam as exigências escolares, as dificuldades de motricidade fina podem tornar-se mais evidentes.
Uma criança pode apresentar dificuldade em controlar o lápis, manter um ritmo adequado de escrita, organizar o espaço no papel ou realizar tarefas escritas durante períodos prolongados.
É importante lembrar que a escrita é uma competência complexa, influenciada por vários fatores, e que uma dificuldade na escrita não significa necessariamente que a causa seja exclusivamente motora.
– Pequenas dificuldades que podem ter um grande impacto
As dificuldades de motricidade fina podem parecer pouco significativas quando observadas isoladamente. No entanto, quando interferem com tarefas importantes para a criança — como brincar, vestir-se, alimentar-se ou participar na escola — podem ter um impacto significativo na sua autonomia e participação.
Por isso, mais do que perguntar se a criança “faz bem” determinada tarefa, importa perceber quanto esforço faz, quanto tempo demora, que ajuda necessita e se a dificuldade está a limitar aquilo que consegue fazer no seu dia a dia.
Quando estas dificuldades são persistentes e interferem com a participação da criança, uma avaliação de Terapia Ocupacional pode ajudar a compreender as competências envolvidas e a identificar formas de facilitar o seu desempenho.
Quando uma criança apresenta dificuldades de coordenação, é natural que surja a pergunta: “Porque é que isto acontece?”
A verdade é que não existe uma única explicação. A dificuldade pode estar relacionada com diferentes fatores e, em alguns casos, pode resultar da combinação de várias características do desenvolvimento.
– Variações normais do desenvolvimento
Nem todas as crianças desenvolvem as competências motoras exatamente ao mesmo ritmo. Algumas podem precisar de mais tempo, experiência ou oportunidades de prática para consolidar determinadas habilidades.
Quando existe progressão e as dificuldades não interferem significativamente com a participação da criança, estas diferenças podem fazer parte da variabilidade normal do desenvolvimento.
– Atrasos no desenvolvimento motor
Em algumas situações, a criança pode apresentar um ritmo de aquisição de determinadas competências motoras mais lento do que o esperado para a sua idade.
Pode existir dificuldade em competências motoras globais, como correr, saltar ou subir escadas, ou em competências mais finas, como manipular objetos, desenhar ou realizar tarefas de autocuidado.
Uma avaliação permite perceber quais as competências que estão comprometidas e como estas estão a influenciar o desempenho da criança.
– Alterações da coordenação motora
Existem também situações em que as dificuldades de coordenação são persistentes e interferem significativamente com as atividades do quotidiano
A Perturbação do Desenvolvimento da Coordenação (PDC) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por dificuldades na aquisição e execução de competências motoras, com impacto nas atividades do dia a dia. O diagnóstico, contudo, requer uma avaliação clínica adequada e não deve ser feito apenas com base em alguns sinais observados pelos pais.
– Diferenças no processamento sensorial
A forma como uma criança recebe, organiza e utiliza a informação proveniente do próprio corpo e do ambiente pode também influenciar a forma como se movimenta e participa nas atividades.
Por exemplo, dificuldades na forma como processa informação relacionada com o movimento, equilíbrio ou posição do corpo podem contribuir para que determinadas atividades sejam mais desafiantes.
É importante, contudo, não assumir que todas as dificuldades de coordenação têm origem num problema de processamento sensorial. A relação entre processamento sensorial, desempenho motor e participação deve ser analisada individualmente.
– Outras condições do neurodesenvolvimento
As dificuldades motoras também podem surgir associadas a diferentes condições do neurodesenvolvimento. Nesses casos, podem coexistir com outras dificuldades, por exemplo, ao nível da atenção, comunicação, aprendizagem ou autorregulação.
Isto não significa que uma criança com dificuldades de coordenação tenha necessariamente outra condição associada. Cada criança deve ser avaliada de forma individual, considerando o seu desenvolvimento global e o impacto das dificuldades no quotidiano.
– Mais importante do que encontrar um rótulo é compreender a criança
A falta de coordenação pode ter diferentes explicações e, por isso, não deve ser interpretada de forma isolada.
Uma avaliação adequada procura perceber quais são as dificuldades, em que situações surgem, como estão a evoluir e de que forma influenciam a participação da criança nas suas atividades do dia a dia.
Mais do que identificar apenas aquilo que a criança tem dificuldade em fazer, é importante compreender o que consegue fazer, quais são as suas estratégias, quais os seus pontos fortes e que apoio poderá facilitar o seu desempenho.
Desta forma, podemos olhar para a criança de forma global e individualizada, evitando comparações e rótulos e procurando criar oportunidades para que possa participar, aprender e desenvolver-se com maior confiança e autonomia.
Quando existem dúvidas sobre a coordenação motora de uma criança, uma avaliação permite compreender quais são as suas dificuldades, em que situações surgem e qual o impacto que têm no seu dia a dia.
Na Terapia Ocupacional, esta avaliação é individualizada e procura olhar para a criança como um todo, tendo em conta não só as suas competências, mas também as atividades que realiza e os contextos em que participa.
– Observação das atividades do dia a dia
Uma parte importante da avaliação passa por perceber como a criança funciona nas suas atividades habituais.
Como brinca? Como se veste? Consegue utilizar talheres? Como lida com materiais escolares? Participa nas brincadeiras com os pares? Que tarefas realiza de forma autónoma e em quais precisa de ajuda?
Estas informações ajudam a perceber se uma determinada dificuldade motora tem impacto real na participação e na autonomia da criança.
– Avaliação das competências motoras globais e finas
Podem ser observadas diferentes competências motoras, de acordo com a idade e as necessidades da criança.
Nas competências motoras globais podem ser avaliados aspetos relacionados com correr, saltar, lançar, apanhar, subir escadas ou manter diferentes posições
Nas competências motoras finas podem ser observadas tarefas que envolvem as mãos e os dedos, como manipular objetos, desenhar, recortar ou realizar atividades de autocuidado.
– Equilíbrio, coordenação e planeamento motor
A avaliação pode também considerar a forma como a criança mantém o equilíbrio, coordena diferentes partes do corpo e organiza os movimentos para realizar uma determinada tarefa.
O planeamento motor, por exemplo, está relacionado com a capacidade de pensar, organizar e executar uma ação motora. Atividades aparentemente simples podem exigir que a criança determine o que fazer, em que sequência e como ajustar os seus movimentos à situação.
– Uma avaliação individualizada
Não existe uma única forma de avaliar todas as crianças. A idade, o desenvolvimento, as experiências, as dificuldades identificadas e as atividades que são significativas para cada criança devem ser considerados.
Sempre que adequado, podem também ser utilizados instrumentos e testes padronizados, complementando a observação clínica e a informação recolhida junto dos pais e, quando relevante, de outros profissionais ou da escola.
O objetivo é construir uma visão global do perfil da criança: não apenas aquilo que é difícil, mas também os seus pontos fortes, estratégias e capacidades.
Uma avaliação individualizada permite, assim, compreender melhor as necessidades da criança e definir estratégias que façam sentido para a sua realidade, promovendo maior autonomia, confiança e participação no quotidiano.
Quando uma dificuldade motora interfere no brincar, na autonomia, na escola ou noutras atividades importantes para a criança, a Terapia Ocupacional pode ajudar a compreender as suas necessidades e a encontrar estratégias que facilitem a sua participação.
A intervenção é sempre individualizada, tendo em conta a idade, o desenvolvimento, os interesses, as dificuldades e os contextos em que a criança está inserida.
– Desenvolvimento das competências motoras finas
Através de atividades significativas e adequadas à idade, podem ser trabalhadas competências relacionadas com a destreza manual, coordenação entre as mãos e controlo dos movimentos.
Estas competências podem ser importantes para tarefas como desenhar, recortar, manipular objetos, utilizar talheres, vestir-se ou realizar atividades escolares.
– Melhoria do planeamento motor e da coordenação
Algumas crianças precisam de apoio para organizar e coordenar os movimentos necessários para realizar determinadas tarefas.
A intervenção pode incluir atividades que desafiem, de forma gradual e adequada, o planeamento motor, o equilíbrio, a coordenação e o controlo corporal, sempre com objetivos funcionais e significativos para a criança.
– Promoção da autonomia nas atividades diárias
A Terapia Ocupacional procura também ajudar a criança a tornar-se mais autónoma nas tarefas do quotidiano.
Vestir-se, apertar botões, utilizar talheres, organizar materiais ou participar nas rotinas escolares são exemplos de atividades que podem ser trabalhadas quando existem dificuldades que interferem com a sua realização.
O objetivo não é apenas que a criança execute melhor uma determinada tarefa, mas que consiga participar nela com maior independência e confiança.
– Estratégias adaptadas à idade e às necessidades da criança
Não existe uma estratégia igual para todas as crianças.
As atividades e objetivos da intervenção são ajustados ao perfil individual de cada criança, procurando aproveitar os seus interesses e pontos fortes e transformar os desafios em oportunidades de aprendizagem
Através do brincar e de atividades significativas, é possível criar experiências em que a criança pratica, experimenta, aprende e ganha confiança nas suas capacidades.
– Mais do que melhorar uma competência, promover participação
Na Terapia Ocupacional, o foco não está apenas na capacidade de correr, saltar, desenhar ou coordenar um movimento.
Está em perceber o que a criança quer e precisa de fazer no seu dia a dia e ajudá-la a encontrar formas de participar com maior autonomia, segurança e confiança.
Porque, no final, o objetivo não é deixar de ser “desajeitada”. É ajudar cada criança a sentir-se capaz de participar nas atividades que fazem parte da sua infância.
É natural que os pais tenham dúvidas quando sentem que o seu filho é mais “desajeitado” do que outras crianças. Nem todas as diferenças no desenvolvimento motor significam que existe uma dificuldade que necessita de intervenção.
No entanto, existem algumas situações em que pode ser importante procurar orientação profissional e compreender melhor o que está a acontecer.
– Se as dificuldades persistirem ao longo do tempo
Uma dificuldade pontual pode fazer parte do processo de aprendizagem e desenvolvimento. Mas quando determinados desafios motores se mantêm ao longo do tempo, apesar das oportunidades para brincar, praticar e aprender, é importante observar a sua evolução.
– Quando interferem na participação escolar ou social
As dificuldades motoras podem tornar algumas tarefas escolares ou atividades com os pares mais exigentes.
Se a criança apresenta dificuldade em acompanhar determinadas atividades, precisa frequentemente de ajuda ou começa a ficar de fora das brincadeiras, é importante considerar não apenas a competência motora, mas o impacto que esta dificuldade está a ter na sua participação.
– Se a criança evita atividades motoras
Evitar constantemente correr, saltar, brincar no parque ou participar em atividades desportivas pode ser um sinal de que a criança está a sentir alguma dificuldade.
É importante procurar compreender o motivo dessa preferência ou evitamento. Será apenas uma questão de interesse ou a criança está a evitar atividades porque sente que não consegue realizá-las?
– Quando existe preocupação dos pais, educadores ou profissionais de saúde
Pais, educadores e outros profissionais que acompanham a criança podem observar diferentes aspetos do seu desenvolvimento e, por vezes, identificar mudanças ou dificuldades que merecem atenção.
Quando existe uma preocupação persistente, partilhá-la com o pediatra ou procurar uma avaliação especializada pode ajudar a esclarecer dúvidas e a compreender melhor as necessidades da criança.
– Procurar ajuda é procurar compreender
Uma avaliação não significa que exista necessariamente um diagnóstico ou que a criança precise de terapia.
Significa procurar compreender o que está a ser difícil, de que forma essa dificuldade influencia o quotidiano e quais as estratégias que podem facilitar a participação da criança.
Quando necessário, a Terapia Ocupacional pode contribuir para esta compreensão e para a definição de estratégias individualizadas, sempre em articulação com a família e, quando pertinente, com a escola e outros profissionais.
Porque cada criança tem o seu próprio ritmo — e quando surgem dificuldades, compreender é o primeiro passo para poder apoiar.
Ser uma criança “desajeitada” não significa, por si só, que exista uma dificuldade no desenvolvimento. Tropeçar, cair ou precisar de mais tempo para aprender uma nova competência motora pode fazer parte da variabilidade natural da infância.
No entanto, quando as dificuldades persistem ao longo do tempo, são frequentes ou começam a interferir com o brincar, a autonomia, a escola ou a participação com os pares, é importante não ignorá-las.
Uma avaliação especializada pode ajudar a compreender melhor o perfil individual da criança, as competências que estão a ser mais desafiantes e o impacto dessas dificuldades no seu quotidiano.
Quanto mais cedo forem compreendidas as necessidades da criança, mais cedo poderão ser identificadas estratégias adequadas para facilitar a sua participação e promover confiança, autonomia e bem-estar.
Porque mais importante do que perguntar se uma criança é “desajeitada” é perguntar:
“O que precisa esta criança para se sentir capaz e participar plenamente no seu dia a dia?”
Se estas dificuldades são frequentes, persistem ao longo do tempo ou estão a interferir com o brincar, a escola ou a autonomia, uma avaliação pode ajudar a perceber o que está a acontecer. Na Fisio André Viegas, a avaliação em Terapia Ocupacional procura compreender a criança de forma individualizada e identificar as estratégias mais adequadas às suas necessidades.
Cair ocasionalmente faz parte da infância, especialmente enquanto a criança está a desenvolver novas competências motoras. No entanto, quedas muito frequentes, persistentes ou que interferem com as brincadeiras e atividades do dia a dia merecem maior atenção.
Mais importante do que o número de quedas é perceber em que situações acontecem, se estão a diminuir ao longo do tempo e se limitam a participação da criança.
A coordenação motora não fica completamente “desenvolvida” numa idade específica. As competências motoras vão sendo adquiridas e aperfeiçoadas ao longo da infância e continuam a adaptar-se às novas exigências e experiências.
Existem referências para o desenvolvimento de diferentes competências, mas é normal existir alguma variabilidade entre crianças. Por isso, mais do que procurar uma idade exata, importa observar a evolução individual e a capacidade da criança para realizar atividades adequadas à sua idade.
Em algumas situações, sim. Determinadas dificuldades podem melhorar naturalmente à medida que a criança amadurece, ganha experiência e tem oportunidades para praticar.
Contudo, nem todas as dificuldades persistentes desaparecem com o tempo. Se a criança continua a apresentar dificuldades significativas ou estas começam a interferir com o seu quotidiano, esperar que “passe” pode atrasar a compreensão das suas necessidades.
Uma avaliação pode ajudar a perceber se é adequado continuar a acompanhar a evolução ou se a criança poderá beneficiar de apoio.
A participação em atividades físicas e desportivas pode proporcionar oportunidades importantes para praticar movimentos, desenvolver competências motoras e ganhar confiança.
No entanto, não existe uma atividade desportiva que seja adequada ou eficaz da mesma forma para todas as crianças. É importante escolher atividades ajustadas à idade, interesses e capacidades da criança, garantindo que são experiências positivas e não uma fonte adicional de frustração.
“Desajeitado” é uma expressão utilizada no dia a dia para descrever uma criança que parece ter mais dificuldades em coordenar os seus movimentos. Não é um diagnóstico clínico.
A Perturbação do Desenvolvimento da Coordenação (PDC) é uma condição do neurodesenvolvimento em que a aquisição e execução de competências motoras são significativamente mais difíceis do que o esperado para a idade, podendo interferir com atividades do quotidiano, como brincar, vestir-se, escrever ou participar em atividades físicas.
Na PDC, as dificuldades são persistentes e têm um impacto significativo na participação e no desempenho da criança. O diagnóstico não é feito apenas porque uma criança tropeça, cai ou tem menor habilidade numa determinada atividade.
É necessária uma avaliação adequada, que considere a história do desenvolvimento, as competências motoras e o impacto das dificuldades nas atividades do dia a dia, podendo envolver diferentes profissionais de saúde.
Por isso, uma criança que parece “desajeitada” não tem necessariamente uma Perturbação do Desenvolvimento da Coordenação. O mais importante é compreender se existem dificuldades persistentes, qual o seu impacto e se a criança poderá beneficiar de algum tipo de apoio.
O objetivo deve ser incentivar a participação e o prazer no movimento, e não comparar o desempenho da criança com o dos colegas.
Pode ser importante procurar um terapeuta ocupacional quando existem dificuldades motoras persistentes que interferem com o dia a dia da criança.
Alguns exemplos incluem dificuldades em correr, saltar, apanhar uma bola, desenhar, recortar, escrever, vestir-se ou realizar outras tarefas de forma autónoma, sobretudo quando estas dificuldades são frequentes e parecem estar a limitar a participação da criança.
Também pode ser importante procurar ajuda quando a criança:
– evita frequentemente atividades motoras ou tarefas que considera difíceis;
– demonstra frustração ou pouca confiança nas suas capacidades;
-tem dificuldade em acompanhar os colegas nas brincadeiras ou atividades escolares;
– precisa de ajuda para tarefas que seriam esperadas para a sua idade;
– apresenta dificuldades que persistem apesar das oportunidades para brincar e praticar.
Não é necessário esperar que a dificuldade se torne muito significativa para procurar orientação. Quando existe uma preocupação persistente por parte dos pais, educadores ou profissionais de saúde, uma avaliação pode ajudar a esclarecer a situação.
O terapeuta ocupacional irá procurar compreender como as dificuldades da criança influenciam a sua autonomia, o brincar, a aprendizagem e a participação, identificando os seus pontos fortes e as estratégias que podem facilitar o seu desempenho.
Procurar uma avaliação não significa que exista necessariamente um diagnóstico ou que a criança precise de intervenção. Significa procurar compreender melhor as suas necessidades e perceber qual o apoio mais adequado.
Joana Vidal, Terapeuta Ocupacional, C-0446251898142