
A corrida começou a tornar-se uma atividade desportiva popular nos anos 70.
O número de corredores e de eventos relacionados com a corrida aumentaram consideravelmente a partir do ano 2000. Para tal, muito contribuiu o aumento do número de meninas e de mulheres a praticar corrida.
Atualmente, a corrida é uma das atividades físicas mais populares do mundo, sendo uma das formas mais eficientes de melhorar a condição física o que está relacionado com um aumento da longevidade e da qualidade de vida. Além disso, proporciona momentos de convívio e de lazer em pessoas de diferentes idades e com diferente condição física.
O sucesso da corrida, enquanto atividade desportiva recreativa, muito se deve ao fato de ser uma atividade relativamente simples e acessível de começar a ser praticada.
Dos anos 70 até aos nossos dias o número de praticantes de corrida aumentou exponencialmente mas importa perceber que as caraterísticas dos praticantes se alterou bastante o que pode explicar o surgimento de muitas lesões associadas à corrida.
Nos anos 70, os praticantes de corrida eram atletas com objetivo competitivo, magros e maioritariamente do género masculino ( cerca de 75%).
Nos dias de hoje são sobretudo pessoas com objetivos recreativos e muitos deles com excesso de peso e com pouca experiência em termos de exercício ou atividade física ao longo da sua vida.
A corrida é uma atividade associada a um elevado risco de lesões de sobrecarga comparativamente a outras atividades aeróbias como a caminhada, a natação ou o ciclismo, sendo raras as lesões agudas como por exemplo as roturas musculares ou as entorses.
As lesões de sobrecarga, não resultam de um episódio traumático mas sim de vários episódios repetitivos em que se excede a tolerância dos tecidos.
A maioria das lesões da corrida são nos membros inferiores: na mulher a região anatómica com maior número de lesões é o joelho, enquanto no homem existe uma proporção semelhante entre as lesões no joelho e no pé/tornozelo.
É comum ver os corredores recreativos a seguir e imitar os treinos dos atletas profissionais o que pode resultar numa grande parte dos casos num aumento do risco de lesão porque, ao contrário dos atletas profissionais, os corredores recreativos têm várias condicionantes, desde logo, em termos de tempo para treinar, descansar e dormir adequadamente, hábitos alimentares diferentes, já para não falar das diferentes caraterísticas caraterísticas genéticas, físicas e psicológicas.
O que podemos recomendar de acordo com os estudos mais recentes sobre a prática da corrida recreativa?
André Viegas, Fisioterapeuta