Afasia: o que é, sintomas e tratamento

A afasia é uma alteração na capacidade de comunicação que interfere na fala e na compreensão, podendo também alterar a capacidade de leitura e de escrita.

O que é?

A afasia resulta de uma lesão cerebral, que limita a capacidade de processar linguagem.
Esta alteração ocorre com maior incidência na população mais idosa, mas pode ocorrer em qualquer fase da vida.
A afasia não altera a consciência ou inteligência, no entanto, altera a capacidade de expressar os pensamentos e de compreender o que é dito ou escrito.
A afasia, dependendo da sua gravidade, tem um grande impacto na própria pessoa, bem como nas pessoas que a rodeiam, podendo limitar drasticamente o seu desempenho social, familiar e profissional. Em termos simples, quase parece que a pessoa se mudou para a Mongólia, mas não fala a língua. Ou conhece apenas algumas palavras, ou não sabe como dizer ou não reconhece algumas palavras, dependendo da gravidade. Podemos até atrever-nos a fazer a analogia: a afasia é muito grave, como o desconhecimento total da língua mongol ou menos grave como o desconhecimento de termos técnicos e alguns nomes se fossemos desempenhar a nossa atividade profissional para a Mongólia. Se formos capazes de nos colocar no lugar do afásico fazendo esta comparação, podemos facilmente perceber que atividades como pedir um copo de água, fazer compras, ou exercer uma atividade profissional podem ser muito difíceis.
E estas dificuldades facilmente levam ao isolamento, ao questionamento de identidade e autoestima, à diminuição das relações interpessoais, e a depressão.

Sintomas

Todos os afásicos têm em comum as dificuldades de comunicação como principal sintoma, no entanto, dependendo da extensão das lesões, os sintomas podem ser quase impercetíveis, ou serem totalmente incapacitantes.
Ou seja, numa conversa informal podem passar despercebidos ao interlocutor, mas no extremo de severidade os sintomas podem subtrair totalmente do individuo a capacidade de fala, leitura, escrita, …
Numa primeira abordagem, os afásicos podem ser tomados como portadores de doenças mentais, se dizem coisas sem nexo; como surdos, se não conseguem compreender o que é dito, entre outras patologias que não a afasia, no entanto, os afásicos conservam as suas capacidades mentais, de audição, de consciência etc. A afasia “apenas” perturba a capacidade de descodificação (compreender) do padrão primário que possuímos para poder comunicar, bem como a capacidade de transformar eficazmente os nossos pensamentos nesse mesmo código, quer seja na forma oral ou gráfica.

CAusas

A origem da afasia é uma lesão no hemisfério esquerdo do cérebro, onde se localizam as áreas da linguagem, para a maioria das pessoas.
A Afasia não é uma doença em si, mas a consequência de uma lesão, essa sim, podendo ser causada por uma patologia.
O Acidente Vascular cerebral está entre as causas mais comuns, seguido de traumatismos, tumores, infeções, e aneurismas cerebrais, bem como doenças degenerativas e demências.

Diagnóstico

Para o diagnóstico da afasia são feitos exames para identificação da localização da lesão, por indicação do médico especialista, mas o diagnóstico baseia-se essencialmente na avaliação da sua comunicação: análise do seu discurso, nomeação de objetos e imagens, identificação, compreensão de ordens simples e repetição de palavras. Para um diagnóstico mais completo, avalia-se ainda a leitura, escrita e cálculo.
Visto que a afasia resulta como consequência de uma patologia ou traumatismo, estão muitas vezes associadas paralisias dos membros ou fraqueza, alterações da visão, deglutição, memória, epilepsia, entre outras. Ou seja, a somar às dificuldades de comunicação, podem estar a execução de tarefas do dia a dia como vestir, comer, falar ao telefone, etc. e este somatório ter ainda consequências a outros níveis e daí advirem outros diagnósticos.

tratamento

Não existem, ainda, medicamentos que curem a afasia.
O tratamento deve ser feito por um terapeuta da fala, que avalia as dificuldades e faz a reabilitação, de forma tornar o mais funcional possível a sua comunicação, pois não há dois afásicos iguais.
A vida de um afásico pode mudar radicalmente e de uma forma tão brusca que as pessoas que acompanham essa vida têm ela próprias que se reinventar para o poder fazer. Um não afásico usa predominantemente a forma verbal para falar, mas um doente afásico e a sua família, amigos, colegas, companheiros, para poderem acompanhar o processo de recuperação, precisam todos de descobrir a comunicação para além da fala e da leitura. Dentro de uma relação de empatia e generosidade, todos os intervenientes deste processo se predispõem a usar novas formas de comunicação como o gesto, a expressão facial, a intensidade vocal ou simplesmente até o olhar. Com esta nova perspetiva é possível manter vínculos, renovar ou até criar novos.
Muitos dos afásicos, devido a outras complicações, permanecem algum tempo internados, mas iniciar a reabilitação logo após o surgimento da lesão é essencial para a recuperação, que realisticamente não tem um tempo certo para terminar.
Além do terapeuta da fala, o acompanhamento por outros profissionais poderá ser necessário: como o terapeuta ocupacional, fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista ou médico fisiatra. A colaboração de todos os profissionais, entre si, com o afásico, bem como com todas as pessoas que o envolvem e estão disponíveis para acompanhar a sua jornada, é crucial na adaptação à sua nova condição e recuperação.

prevenção

Não há forma de prevenir a afasia, mas sim as patologias que lhe dão origem.
Se tem patologia ou é um doente de risco deve ser acompanhado periodicamente pelo seu médico, cumprindo medicação e orientações.
E um estilo de vida saudável, com uma alimentação equilibrada e a prática de exercício físico são sempre a forma de aproveitar melhor e por mais tempo uma vida tranquila e feliz.

 

Liliana Costa, Terapeuta da Fala