Artrose no joelho – porque devo fazer Fisioterapia?

Tem DOR no JOELHO? Sente o joelho preso e com estalinhos? Tem dificuldade para começar a andar quando está muito tempo sentado/a ou a subir e a descer escadas? Este artigo é para si!

 

A artrose no joelho é uma das maiores causa de dor crónica e de incapacidade à escala global. A incidência da artrose do joelho aumenta com a idade e com a esperança média de vida mas não quer dizer que seja um consequência obrigatória do envelhecimento.

É considerada uma condição degenerativa da articulação do joelho que pode envolver alterações na cartilagem, no líquido sinovial, nos meniscos, nos ligamentos e no próprio osso, comprometendo a funcionalidade e a qualidade de vida das pessoas.

A origem da artrose do joelho é multifatorial e pode incluir a história familiar, a idade, a obesidade, a diabetes, as doenças inflamatórias sistémicas, as alterações no alinhamento das pernas (joelhos para fora ou para dentro), trauma, síndromes metabólicos, entre outras.

O sintoma mais comum de artrose do joelho é a dor à volta da articulação do joelho. A dor pode ter intensidade e comportamento variável, podendo ser mais ou menos aguda, constante ou intermitente. 

A dor tem, normalmente, um desenvolvimento lento e progressivo sendo menos frequente os episódios de início repentino. Dor e rigidez matinal, ou dor após estar sentada (+ de 30 min.) ou após longos períodos de repouso são muito comuns. Com o passar do tempo, a dor pode tornar-se mais frequente e estar presente mesmo em repouso ou durante a noite. Normalmente, a dor piora após atividade física vigorosa.

Pode também existir perda de mobilidade articular, começando a notar que já não consegue dobrar e esticar completamente o joelho e, é muito frequente as pessoas descreverem que sentem “areia” dentro do joelho e ruído (“estalinhos“) além de sentirem fraqueza muscular. Edema, sensação de  joelho preso (bloqueio articular) ou de a perna ir abaixo, são outros relatos muito frequentes.

As atividades mais frequentemente afetadas são a marcha, o subir descer escadas, as tarefas domésticas e o estar muito tempo sentado/a.

Estudos recentes apontam que cerca de 30% dos adultos tenham sinais de alguma destas alterações nos exames radiológicos mas que destes, apenas 8,9% tenham sinais clínicos relevantes de artrose do joelho. Ou seja, muitas das pessoas com alterações nos exames não apresentam dor ou diminuição importante da sua funcionalidade ou qualidade de vida.

Sabemos que a sua dor no joelho o limita nas suas atividades. E que possivelmente acredita que terá que viver com ela para sempre. E se lhe dissermos que há solução? Que pode viver com menor dor e com maior qualidade de vida?

As investigações científicas mais recentes sugerem que a intervenção de primeira linha e a mais adequada para a maioria das pessoas com artrose do joelho deve contemplar:  educação, um programa de exercícios estruturado  e controlo do peso.

componente educativa  desempenha um papel determinante na adesão ao processo de reabilitação e deve passar pela explicação à pessoa da sua condição, a sua evolução, incentivando o aumento da atividade física,  ensinando técnicas de auto-tratamento e mantendo uma visão otimista e positiva do seu processo de recuperação.

exercício é benéfico para pessoas com artrose do joelho no que respeita a dor, função, performance e qualidade de vida. Exercício aeróbio (caminhada, nadar) e mente-corpo (yoga, tai chi) apresentam benefícios em maior escala para melhoria na dor e na funcionalidade. Exercícios de força e de flexibilidade promovem melhorias em vários outros parâmetros. 

Apesar de não se conhecer bem o mecanismo subjacente, o efeito dos exercícios aeróbios e corpo-mente, podem ser atribuídos à sua influência nos mecanismos de sensitização central, no sono e no humor. A experiência de dor, o nível de funcionalidade e qualidade de vida são o resultados de interação entre mecanismos centrais e periféricos de dor que são modelados tanto nos exercícios aeróbios como nos de corpo-mente.

Os exercícios realizados dentro de água podem ser uma boa alternativa caso a severidade dos sintomas ou a obesidade não possibilitem a realização de exercício fora de água.

Os programas de exercício devem ser personalizados acompanhados por um Fisioterapeuta que vai ajustando o plano de exercícios ao longo do tempo. Com duas sessões por semana, durante 6 semanas, já é esperada redução na dor e melhoria da funcionalidade. O objetivo destes programas é ajudar o utentes a lidar com a sua dor, com a rigidez e a perda de função, melhorando a sua qualidade de vida e mantendo a sua independência.

obesidade está fortemente associada com um risco acrescido de desenvolvimento de artrose do joelho e com a necessidade de cirurgia. O excesso de peso traduz-se numa sobrecarga da articulação, em alterações da composição corporal com efeito negativo sobre a inflamação e está muito associada a fatores comportamentais como a diminuição da atividade física com consequente perda de força muscular. 

Importa referir que uma redução de apenas 5 % do peso corporal já terá um impacto positivo e significativo na sintomatologia apresentada.

A cirurgia não deve ser a intervenção de eleição de primeira linha, devendo ser vista como um último recurso ou nos casos de maior severidade.

Agende a sua sessão. O primeiro passo no seu processo de mudança.

 

Fontes:

– Bannuru , et al. – OARSI guidelines for the non-surgical management of knee, hip, and polyarticular osteoarthritis. Elsevier,  VOLUME 27, ISSUE 11, P1578-1589, NOVEMBER 01, 2019 R.R.  

– Goh, et al. -Relative Efcacy of Diferent Exercises for Pain, Function, Performance and Quality of Life in Knee and Hip Osteoarthritis: Systematic Review and Network Meta‑AnalysisSports Medicine (2019) 49:743–761

-HS Kan, PK Chan *, KY Chiu, CH Yan, SS Yeung, YL Ng, KW Shiu, Tegan Ho. Non-surgical treatment of knee osteoarthritis. Hong Kong Medical Journal ©2019 Hong Kong Academy of Medicine. CC BY-NC-ND 4.0

– S.T. Skou1,2, E.M. Roos1. Physical therapy for patients with knee and hip osteoarthritis:
supervised, active treatment is current best practice. Clin Exp Rheumatol 2019; 37 (Suppl. 120):
S112-S117.

Michelle J Lespasio, DNP, JD, ANP; Nicolas S Piuzzi, MD; M Elaine. Knee Osteoarthritis: A Primer.  Perm J 2017;21:16-183

André Viegas, Fisioterapeuta

Sabia que no passado dia 16 de abril celebrou-se o dia mundial da VOZ? 

Numa altura em que devido à pandemia que estamos a viver existe tanta gente por esse mundo fora que está privada dela, por estar em condições de saúde delicadas ou por não ter com quem a usar, queremos reforçar a importância que esta ferramenta de comunicação tem na vida de todos nós.

A nossa voz identificanos, pode dar a conhecer a região onde crescemos, ser determinante no nosso desempenho profissional, pode revelar o nosso estado de espírito e até o nosso bem estar físico.

É um instrumento versátil e crucial para a nossa vivência em sociedade, mas que precisa de ser cuidado por ser sensível ao cansaço, aos químicos (medicação, detergentes,…), às hormonas, a patologias, a alergenos, a alterações da temperatura, etc. 

Em alguns casos, pode limitar a nossa interação social por não nos identificarmos com ela, no caso, por exemplo de uma pessoa do sexo masculino que acha que a sua voz é demasiado aguda.

Se for o seu caso, se está insatisfeito com a sua voz, se tem sinais de fraca qualidade vocal, como rouquidão ou fraco alcance vocal, se o seu filho tem períodos em que também apresenta estes sinais ou até períodos de ausência total de voz, deve consultar o especialista adequado a avaliar e tratar este tipo de situações: o Terapeuta da Fala!

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