
A dor cervical, cervicalgia ou comumente designada por dor no pescoço, é um dos motivos mais comuns de procura tratamento médico em centros de cuidados primários em todo o mundo, apresentando um impacto social e económico considerável.
Esta situação clínica afeta mais as mulheres e, quando não tratada de forma adequada, tende a repetir-se ou a tornar-se crónica.
A coluna cervical (que corresponde ao nosso pescoço) tem a característica de ser muito flexível, permitindo uma boa mobilidade da cabeça para girar, inclinar, dobrar e esticar.
É formada por um conjunto de 7 vertebras, que para além de permitirem movimento, também fornecem proteção do tecido nervoso proveniente da medula espinhal. A separar as vertebras, existem os discos intervertebrais, que funcionam como “amortecedores” da coluna. A parte superior da coluna cervical relaciona-se com o crânio e a parte inferior com a coluna dorsal.

Fig. 1 – coluna cervical
Na maioria dos casos, a dor cervical é uma condição benigna, com resolução espontânea. Causas como o sedentarismo, as posturas mantidas, os esforços repetitivos, o stress, o envelhecimento e o trauma poderão estar na origem da dor.
Também poderão constituir sintomatologia cervical outras situações, tais como problemas degenerativos: hérnias discais (rotura completa do disco) ou osteoartrite (desgaste da cartilagem articular e responsável por alterações ósseas vulgarmente conhecidas como “bicos de papagaio”). Outros quadros clínicos mais graves, como o estreitamento do canal medular e a espondilolistese (desvio de uma vertebra em relação à outra), também podem estar na origem da dor.
Não obstante, devemos ter presente de que as situações acima descritas, embora presentes em muitos casos, não provocam necessariamente dor.
O sintoma mais comum é a dor e rigidez no pescoço.
Em situações mais graves, a dor cervical pode difundir-se para a região dos ombros e prolongar-se por todo o membro superior até às mãos. Poderá estar associada a formigueiros, dormência, sensação de peso nos membros superiores ou até falta de força.
Devido à relação próxima com o crânio, alterações na cervical podem estar associadas a dores de cabeça, estalidos na articulação temporo-mandibular, bruxismo, vertigens, tonturas e zumbidos.
Para diagnóstico das causas de cervicalgia, é importante uma avaliação cuidada para identificar fatores de alerta ou de gravidade do problema.
A primeira fase de diagnostico, é o conhecimento da história clínica do utente. A segunda fase, consiste num exame objetivo onde se analisa a condição física: postura, amplitudes de movimento, focos de dor, sensibilidade e força.
Quando necessário, poderão ser solicitados exames complementares com o fim de um diagnóstico mais preciso.
O tratamento preferencial da maioria dos utentes com quadro de cervicalgia é o tratamento conservador, onde se recomenda a realização de fisioterapia e, se necessário, a toma de medicação aconselhada e prescrita pelo médico.
As sessões de fisioterapia deverão centrar-se no alívio do quadro de dor e em simultâneo na recuperação da funcionalidade da região cervical.
O tratamento tem como objetivos:
É importante relembrar que a manutenção do estado de saúde começa no utente. Para isso, deve adotar estratégias para um estilo de vida saudável, como uma alimentação equilibrada, prática de exercício físico, redução de fatores de stress, abandono de vícios como o álcool/tabaco e a promoção de um bom descanso durante o sono.
Carina Martins, Fisioterapeuta
Bibliografia