
Dor no pulso? Será Tenossinovite de Quervain?
Esta condição é definida como uma estenose (compressão) do primeiro compartimento do carpo, por uma inflamação do abdutor longo do polegar e do tendão do músculo extensor curto do polegar, que de forma persistente provoca degeneração dos tendões.
A sua prevalência é superior no género feminino (4x mais frequente do que no género masculino).
É necessária uma avaliação rigorosa uma vez que existem outras condições que poderão dar uma sintomatologia idêntica, podendo ser benéfico o recurso à ecografia. A dor aumenta com o movimento de desvio cubital (movimento lateral realizado em direção contrária ao polegar) e movimento do polegar, sendo provocada por uma restrição do deslizamento do tendão dentro do compartimento onde este se movimenta.
Mulheres grávidas, recém-mamãs e pessoas que têm atividades com movimentos repetitivos são mais suscetíveis a esta condição (p.ex: golfistas e todos os praticamente de desportos de raquete). Tipicamente ocorre entre os 30 e os 50 anos, podendo estar associado ao síndrome do túnel cárpico ou ser ainda decorrente de um traumatismo.
Começam a surgir associações entre esta condição e o uso de smartphones em faixas etárias mais novas.
Esta condição origina dor e edema próximo à apófise estiloide do rádio, aquela proeminência óssea do lado de fora do punho.
Quem sofre desta condição apresentará diminuição da funcionalidade do pulso e da mão.
A dor, geralmente, é reportada como sendo na base do polegar e estende-se até ao punho e aparece de forma gradual.
A forma de tratamento irá sempre depender do estadio da condição clínica, no entanto preferencialmente deve seguir-se uma abordagem conservadora em detrimento da cirurgia.
De forma geral as primeiras medidas que são adotadas é a prescrição de anti-inflamatório e de uma ortótese.
Essa ortótese consiste numa imobilização do polegar e do punho, que poderá ser mais ou menos rígida consoante a avaliação do clínico e a gravidade do caso. Esta imobilização também poderá ser feita com tape ou kinesiotape, sendo habitualmente utilizada entre 3 a 8 semanas.
Adicionalmente são dadas instruções de modificação das atividades, e educação para alguns gestos do dia-a-dia; massagem da região de forma a promover um decréscimo da dor e melhorar a drenagem; exercícios para a região realizados sem dor.
Em alguns casos pode ser necessária a aplicação de injeção de corticosteroides, preferencialmente eco guiadas. No entanto esta técnica médica pode ter como efeitos secundários: atrofia de gordura subcutânea, dor, inchaço, hematomas e rutura do tendão.
A cirurgia deve ser tida em conta caso não haja resultado satisfatório com o tratamento conservador durante a 3 a 6 meses.
Todos os exercícios deverão ser realizados dentro da amplitude de movimento sem dor, ou com dor mínima.

Pressione o polegar para cima contra os dedos da mão não afetada, durante 10 a 15 segundos. 5x e repita pelo menos 3 vezes durante o dia.

Incline o pulso para baixo e resista na outra mão durante 15 a 20 segundos e repita 3 a 4 vezes.
Os movimentos dolorosos com a mão devem ser evitados tanto quanto possível numa fase inicial. As instruções a este nível devem ser adaptadas às necessidade de cada pessoa.
Bruna Almeida, Fisioterapeuta