O exercício na Doença de Parkinson

A Doença de Parkinson (DP) é uma doença neurodegenerativa progressiva caracterizada por tremor e bradicinesia (diminuição progressiva da velocidade e amplitude dos movimentos).

O que é?

A Doença de Parkinson  é a segunda doença neurodegenerativa mais comum, sendo superada apenas pela Doença de Alzheimer.

A incidência e prevalência da Doença de Parkinson aumentaram rapidamente nas últimas três décadas e vários estudos demonstram que a DP é duas vezes superior nos homens do que nas mulheres. Um estudo recente em Portugal calculou a sua prevalência é de 180/100 000 habitantes. Geralmente a DP surge entre os 50 e os 80 anos de idade.

Devido ao seu carácter progressivo a DP acarreta elevadas responsabilidades e consequências para os cuidadores, sociedade e para os próprios doentes. Além disso a mesma representa ainda um  encargo socioeconómico crescente.

SINTOMAS

Os sintomas da Doença de Parkinson podem subdividir-se em 2 grande grupos: motores e não motores.

 

Sintomas motores:

– Bradicinésia;

– Rigidez;

– Tremor de repouso;

– Alterações do controlo postural e da marcha.

 

Sintomas não-motores:

– Ansiedade e Depressão;

– Deterioração cognitiva;

– Disfagia;

– Alterações visuais;

– Perturbações do sono;

– Incontinência urinária e disfunção sexual.

Diagnóstico

Atualmente, ainda não existe nenhum teste que permita o diagnóstico da Doença de Parkinson.

Assim, o mesmo é baseado em critérios clínicos fundamentalmente através dos sinais e sintomas (+ motores) que o doente apresenta.

Tratamento

A elevada complexidade da Doença de Parkinson sugere a necessidade de envolver uma equipa multidisciplinar e um tratamento individualizado.

Ao nível clínico a medicação é eficaz no tratamento dos sintomas motores e deve ser iniciada consoante os sintomas e o acompanhamento médico. No caso da medicação não proporcionar melhorias, se verificar efeitos secundários significativos e após uma avaliação clínica detalhada, a deep brain stimulation (DBS) parece ser uma intervenção com resultados interessantes na melhoria da qualidade de vida.

No que toca à Fisioterapia o exercício físico é uma das estratégias mais eficazes em doentes com Parkinson. O treino aeróbio é altamente aconselhável e seguro dado que promove melhorias na funcionalidade, depressão, fadiga e capacidade aeróbia e pode ser realizado na bicicleta, na passadeira ou através de caminhadas. Idealmente, este tipo de treino, deve ser realizado a uma intensidade elevada.

Por sua vez, o treino de força deve ser implementado precocemente no sentido de melhorar a força muscular, a resistência muscular e o controlo motor. Deve-se dar prioridade a grandes grupos musculares, com intensidade moderada a elevada focando sempre a transferência do exercício para as atividades de vida diária.

O treino de equilíbrio e de marcha apresenta efeitos positivos na melhoria do equilíbrio e da função em pacientes com DP e reduz a risco de queda a médio prazo.

Muitas pessoas com DP têm dificuldade em cumprir um plano de exercícios a longo prazo. Assim, o treino acompanhado e personalizado pode ser uma excelente estratégia para proporcionar conforto, segurança e confiança. Além disso, promove um ambiente adequado para responder da melhor forma possível às necessidades de cada pessoa.

 

Filipe Bastos, Fisioterapeuta, OF 1245

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