A doença de OsgoodSchlatter é uma condição inflamatória da inserção do tendão rotuliano na tuberosidade anterior da tíbia durante o crescimento da criança/adolescente, sendo bastante mais frequente em quem pratica atividade física regular (jovens atletas).

A doença de OsgoodSchlatter é uma condição que pode surgir no fim da infância e que habitualmente acaba por desaparecer no final do crescimento do nosso esqueleto.

É uma condição mais frequente nos rapazes que nas raparigas, surgindo habitualmente entre os 10 e os 15 anos de idade.  Nos estádios iniciais os utentes referem dor na tuberosidade anterior da tíbia após a atividade física, podendo ser uma dor que se mantém ou mais permanente em estádios mais avançados.

A dor e o edema na tuberosidade anterior da tíbia são as principais manifestações desta doença. A dor habitualmente agrava com a atividade física, como correr, saltar, subir e descer escadas e pode ser suficientemente incapacitante para provocar inclusivamente claudicação na marcha, sendo ainda frequente após longos períodos sentado.

Em 20 a 30% dos casos a dor pode ser bilateral mas com intensidade variável.

A causa exata da doença é ainda desconhecida.

Poderá ser secundária a microtraumatismos na tuberosidade anterior da tíbia ou devido à rigidez ou encurtamento do quadricípite ou dos isquiotibiais. A hipótese explicativa baseia-se no assincronismo entre o desenvolvimento do osso e dos tecidos moles, principalmente do músculo reto femoral, podendo gerar irritação e, em casos mais severos, a avulsão parcial do tubérculo da tuberosidade anterior da tíbia.

A doença de OsgoodSchlatter está frequentemente associada a períodos de rápido crescimento, habituais na adolescência.

Habitualmente o tratamento destas condições é conservador e inclui a modificação da atividade física, aplicação de gelo, toma de AINE, uso de ortóteses.

A literatura é consensual que a cirurgia não é a abordagem mais efetiva nem de eleição nesta condição, sendo apenas indicada em menos de 10% dos casos.

Tendencialmente, os sintomas resolvem-se com o encerramento da placa de crescimento, mas, em alguns casos podem permanecer.

O objetivo principal do tratamento da doença de OsgoodSchlatter é reduzir a dor e o edema junto à tuberosidade anterior da tíbia. Por esta razão, criança / jovem deve ajustar a sua atividade física até à melhoria ou resolução dos sintomas, o que por vezes leva vários meses (pode durar um a dois anos).

Ou seja, a criança/adolescente deve participar na atividade física que lhe seja tolerável – poderá ser necessário alterar a frequência, intensidade, calçado, piso ou modalidade desportiva.

A fisioterapia nestes casos centra-se na melhoraria da força do quadricipete, isquiotibiais, gémeos, na melhoria da extensibilidade do quadricípete e dos isquiotibiais, controlando a dor e melhorando da funcionalidade.

André Viegas, Fisioterapeuta.