
Sente dor por baixo da rótula, principalmente a saltar, a correr ou até mesmo a caminhar? Pode estar a sofrer de tendinopatia do tendão rotuliano, uma condição comum entre atletas e pessoas fisicamente ativas, também conhecida como joelho do saltador. Leia este artigo até ao fim!
A tendinopatia do tendão rotuliano, também conhecida como joelho do saltador, é uma inflamação ou degeneração do tendão rotuliano, uma estrutura fibrosa que faz parte do mecanismo extensor do joelho.
Este tendão é, na verdade, a continuação do tendão do músculo Quadricípete, que se insere na rótula e depois se prolonga até à tuberosidade anterior da tíbia. Assim, o tendão rotuliano desempenha um papel essencial na transmissão de força do Quadricípete para a perna, permitindo a extensão do joelho.
Quando este tendão é sujeito a esforço repetitivo, como saltos, corrida e mudanças bruscas de direção, podem ocorrer microlesões, levando a um processo inflamatório que causa dor e desconforto. Nos casos mais avançados, a inflamação pode evoluir para uma tendinopatia, caracterizada pela degeneração do tendão e aumento do risco de ruptura.
A principal causa da tendinopatia do tendão rotuliano é o esforço repetitivo e a sobrecarga na articulação do joelho. No entanto, as alterações biomecânicas, como desalinhamento do joelho, pé chato ou pronado e o uso de calçado inadequado, que não absorve corretamente o impacto durante a atividade física, também podem influenciar o aparecimento desta condição.
Esta lesão é particularmente comum em atletas e pessoas fisicamente ativas, especialmente em desportos que envolvem saltos repetitivos, como basquetebol, voleibol, futebol e atletismo. Além dos desportistas, também pode afetar trabalhadores que realizam movimentos repetitivos de agachamento ou carga excessiva sobre os joelhos, bem como indivíduos que iniciam novas atividades físicas sem a preparação adequada.
Como fatores de risco que contribuem para a ocorrência desta lesão salientamos os desportos de impacto, os treinos de alta intensidade e sem períodos de descanso adequados, a falta aquecimento antes da atividade física, uma técnica desportiva inadequada, ter histórico anterior de lesão no joelho, e o excesso de peso, que podem predispor a uma maior sobrecarga no tendão.
Além disso, é importante existir um bom equilíbrio muscular entre o Quadricípete e os Isquiotibiais, em caso de desequilíbrio muscular, existe maior dificuldade na absorção do impacto durante os movimentos, traduzindo-se num maior risco de lesão.
É importante estar atento aos sinais e sintomas do corpo!
Os sinais e sintomas desta lesão caracterizam-se por dor localizada na parte inferior da rótula, que pode ser acompanhada de inchaço ou sensação de calor na região do tendão.
A dor pode agravar-se com atividades físicas que envolvem saltos, corrida ou flexão do joelho. A dor pode ir evoluindo de forma progressiva, sendo que ao início começa após o exercício (sensação de rigidez) e pode tornar-se persistente, mesmo em repouso.
Por vezes, esta dor pode ser limitante, sentindo fraqueza na perna afetada, que pode dificultar a realização de movimentos como subir escadas ou agachar.
Nos casos mais avançados, pode ocorrer degeneração do tendão, aumentando o risco de ruptura parcial ou total, que pode necessitar de intervenção cirúrgica.
O diagnóstico é realizado através da avaliação clínica, onde iremos analisar a história da pessoa, os sintomas e a presença de dor à palpação do tendão rotuliano. Para confirmar a gravidade da lesão e descartar outras condições, podem ser solicitados exames complementares, como ecografia ou ressonância magnética, que permitem visualizar possíveis inflamações, microlesões ou degeneração do tendão.
O tratamento da tendinopatia do tendão rotuliano é conservador na maioria dos casos e envolve um conjunto de estratégias para reduzir a dor, promover a regeneração do tendão e corrigir desequilíbrios musculares e biomecânicos.
A Fisioterapia tem um papel fundamental na recuperação desta lesão, recorrendo a diversas técnicas para aliviar os sintomas e melhorar a função do joelho.
O tratamento passará por, numa fase inicial, realizar um controlo dos sinais inflamatórios e aliviar a sintomatologia. Numa segunda fase, será importante promover o alongamento dos músculos da coxa e da perna e realizar um fortalecimento muscular adequado a si e à sua condição, de forma a restaurar a função e o movimento normal do corpo.
Mais tarde introduzimos o treino de propriocepção e correção biomecânica, para melhorar a mecânica do joelho durante o movimento.
Além da Fisioterapia, outras medidas podem ser adotadas para acelerar a recuperação, como a redução temporária da carga de treino, o uso de palmilhas personalizadas e o uso de medicamentos anti-inflamatórios, sob orientação médica, para controlo da dor.
Nos casos em que o tratamento conservador não apresenta melhorias, podem ser consideradas alternativas como infiltrações com plasma rico em plaquetas (PRP) ou, em situações mais graves, cirurgia para reparação do tendão, embora esta seja rara é apenas recomendada quando todas as outras abordagens falham.
A tendinopatia do tendão rotuliano é uma condição que pode limitar o desempenho desportivo e comprometer atividades diárias, mas com um tratamento adequado e Fisioterapia, a recuperação é possível e eficaz, garantindo que o tendão recupere a sua força e resistência sem riscos de recidiva. Se sente dor persistente no joelho, procure um profissional de saúde para um diagnóstico preciso e inicie o tratamento o mais cedo possível.
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Ana Carolina Oliveira, Fisioterapeuta, OF 2712